Há dias em que você simplesmente quer desistir de respirar porque estar vivo é constatar que o fim vai sugando todas as coisas. Quando você se dá conta de que é uma daquelas pessoas insuportáveis : aquelas que têm tanto medo de ficarem sozinhas que deveriam ser desprezadas. Então não importa se não se dorme, se sua casa fede a cerveja, se o ato final compromete toda a peça. É só aquela sensação de abandono covarde e egoísta que vai embrulhando o estômago e dificultando a respiração.
postado por prébalzaquiana 10:43 AM
Terça-feira, Agosto 14, 2007
Nascer no interior é:
- Não conseguir ouvir Starman, do Bowie sem pensar em " sempre estar lá e ver e voltar, não era mais o mesmo mas estava em seu lugar"
- Sentir do tempo onde só havia um cinema na cidade e vc ia duas vezes: uma para ver o filme, outra para fazer pegação na última fila.
postado por prébalzaquiana 12:20 PM
Domingo, Julho 15, 2007
Tive um sonho genial essa noite. Chegava em Londres no dia em que a rainha morria. Durante o enterro burlo os soldadinhos e escrevo no túmulo God Save the queen, visivelmente sob influência de cogumelos. Sou presa e, durante o interrogatório, só consigo dar risada. Na cadeia, sou ovacionada. Tony Blair faz cara de tst tst tsts pra mim. Antes de ser deportada, ganho comunidades de defesa no Orkut, camisas com minha foto e inscrições Free Vivian! E ficou por aí, acho que não cheguei de fato a voltar ao Brasil, ou não me lembro. Mas que seria um ótima história para contar pra neto, isso seria.
postado por prébalzaquiana 6:07 PM
Com meu Ipod lanço raios vermelhos que calam o mundo. Passo pelo Estácio, debaixo do sol, nightswimming. Atravesso o Rio Comprido alisando o topete do Morrissey e acreditando que só me apaixonei depois de ver estrelas. E subo a rampa do jornal - prevendo um plantão repleto de atentados no Paquistão - desejando que minha sala esteja mesmo pegando fogo.
postado por prébalzaquiana 6:01 PM
Segunda-feira, Junho 25, 2007
Ontem assisti ao Homem Duplo, do Linklater. Sobre o filme digo que achei ok, o que é explicável considerando que li livro sensacional de Philip K.Dick, que deu origem à película. Mas vendo a plantação de papoulas no filme ¿ de onde se extrai a terrível substância D, de Death ¿ lembrei de um dos meus primeiros traumas de infância.
Eu tinha por volta de 7 anos e na escola ia rolar uma dança das flores. Qualquer menina com mais de 20 anos deve ter usado, uma saia de papel crepon com collant e sapatilhas ¿ uniforme básico para ser flor. Então eu seria, pela primeira vez uma flor. Mas havia um porém ¿ não me escolheram para ser a rosa.
Fiquei extremamente chateada. Não entendia : Por que logo eu não seria uma rosa, uma margarida, ao menos uma hortênsia daquelas que davam em qualquer canteiro. Mas estava decidido eu seria uma papoula. O primeiro problema é que eu nem sabia o que era uma papoula. Quem me salvou foi minha avó, jardineira desde sempre, que pediu a uma vizinha um cacho das flores para me mostrar.
Então vi a flor nem feia nem bonita, nem delicada nem grosseira, nem dama da noite nem margarida, em questão de perfume. Meu consolo foi a saia rodada com tom maravilha, entre o rosa escuro e o vermelho, com direito a flores de crepon também no cabelo. Preso em coque.
A primeira flor que encarnei foi uma papoula. Um terror na época. Mas hoje acho até bem maneiro: não nasci para rosa e a idéia de poder alucinar me é bem mais interessante de que a poesia gasta de um botão de rosa.
postado por prébalzaquiana 12:53 PM
Quinta-feira, Junho 21, 2007
Em algum momento eu me perdi. Mas não consigo precisar quando. Talvez tenha sido logo no início, realidade misturada a sonhos, memórias e desejos. Não consegui definir o que era real e agora, mais confusa que nunca, como saber o que não foi interpretação, o que não foi delírio? Ignacio Padilha, escritor mexicano, é defensor da teoria de que nunca somos o que queremos, apenas aquilo que esperam de nós. No meu caso, garotinha do papai, universitária notas altas, revolucionária de livro. Nunca fui presa, nunca usei drogas pesadas, nunca fui livre, nunca saí de casa sem hora pra voltar, raramente fui inconseqüente. Nunca pedi dinheiro pra desconhecidos. Aos 25 a impressão que tenho é que não há muito mais tempo para insistir em velhos erros.
postado por prébalzaquiana 6:05 PM
Quinta-feira, Maio 17, 2007
Das cartas que não enviei
Minha querida minhoca,
Faltam poucos dias para você completar doze anos. Enquanto você começa a descobrir os prazeres da vida eu me dou conta de que já era adolescente quando você nasceu. E agora, quase balzaquiana, estou no limbo entre uma juventude tardia e uma entrada na vida adulta que nem de longe é tão intensa quanto essa fase que você está prestes a enfrentar. Quando você nasceu eu ouvia love times e tinha acabado de trocar o primeiro beijo. Uma desajeitada troca de saliva acompanhada da dúvida: onde coloco as mãos?
Você veio numa época em que era muito triste deixar os jogos de queimado e aterrorizante pensar em perder a virgindade e viver qualquer espécie de relacionamento. Você virou minha boneca, um bebê tão lindo que eu chegava a fazer barulhos para acordar quando dormia demais. Adolescência é uma momento de auto-afirmação que pressupões solidão. Você roubou um pouco disso, me fez companhia, me fez ser mãe antes do tempo. Sem todas as responsabilidades de ser mãe. Sou irmã e já fui avó.
Até hoje me lembro de quando você começou a andar e eu morria de medo quando você caia. Ou do primeiro tapa (talvez único?) que eu te dei quando você jogou um copo pela janela do quinto andar fazendo pirraça. E quando tinha que estudar para o vestibular trancava a porta, mas não resistia à primeira batida que você dava. E quando a gente saia de tarde para comprar chocolate e fazer muffins. Bolinhos que você conheceu antes de balbuciar qualquer palavra em inglês.
Quando você começou a trazer amigos pra brincar, todos eles sabiam que eu estudava jornalismo, um orgulho que você mal disfarçava. E no Rio, uma cidade grande. Quando você me pediu o cd do Oasis eu quase chorei. Ou quando cantarolou Ziggy Stardust, do seu joguinho de playstation. E até mesmo quando disse no meio de um jantar formal que tinha uma irmã meio bêbada, que adorava vodka.
Agora você vai fazer doze e me diz que quer ser jornalista. Jornalista de "Games". E eu não tenho coragem de falar do limbo, da tortura dessa profissão. Você vai fazer doze anos, doze anos da existência breve que mais alterou a minha, menos breve, menos longa. E aos doze anos não é preciso uma dose muito longa de realidade.
postado por prébalzaquiana 1:04 PM
Terça-feira, Maio 01, 2007
Ela sempre temeu escolhas. Sem fôlego para enfrentar o dia, separava as roupas na véspera. Cansou de sair de camiseta na chuva ou carregar casaco debaixo do sol. Era mais prudente, no entanto, do que enfrentar uma dúvida logo depois de abrir os olhos. Hoje, quando dobrou o lençol, sabia que não era simples como uma questão de roupa. Estava fora do lugar e não adiantava vestir fantasia. Não podia repetir e atuar no seu papel de sempre. E tudo o que desejava era não se mover. Ao menos o corpo. Mente já era utopia. Hoje não queria ser ela. Não queria pensar como ela, sair como ela, trabalhar como ela, desamar como ela, insatisfeitar como ela. Hoje, ela queria que branco fosse cor.
postado por prébalzaquiana 10:08 AM
Quarta-feira, Abril 04, 2007
Talvez o verdadeiro amor seja perdoar o outro por tudo aquilo que ele não pode ser. Quem sabe?
postado por prébalzaquiana 1:48 PM
Segunda-feira, Março 26, 2007
O bonde dos Amores Expressos continua rendendo porradaria. O Terron fez um post enfurecido contra quem criticou o projeto, segundo ele ignoratemente. Diz que o dinheiro público será usado apenas para um (possível) patrocínio nas adaptações cinematográricas. Já a matéria da Folha publicado no sábado fica no meio de campo: diz que o produtor Rodrigo Teixeira se propõe a patrocinar o projeto ( um investimento em viagens de cerca de R$ 1,2 milhão) caso não saia o financiamento. Eu acho ótimo que o produtor queira financiar as viagens e muito justo que a Companhia patrocine as edições dos livros. Só não acho que dinheiro público deva ser usado assim, como aliás todo mundo, que pede revisão nos projetos. Torço para que o idealizador da coleção Camisa 13 entre mesmo em campo. E, a previsão é de que boa parte dos autores, inclusive o irado Terron, não façam feio em campos estrangeiros.
postado por prébalzaquiana 12:44 PM
Quarta-feira, Março 21, 2007
O mundo literário está cada vez mais divertido. E não falo de lançamento de obras não: mas das brigas que vêm rolando entre os blogs. Na semana passada, o Marcelino Freire subiu nas tamancas para reclamar do Ruffato, que lançou antes dele uma coletânea sobre contos gays. Esta semana, após a Folha de São Paulo divulgar o projeto de mandar escritores pelo mundo (aqui, deixe-se claro: com dinheiro público sendo usado em parceria com a editora Companhia das Letras) o pau anda comendo no Todo Prosa. Acho justo que reclamem, afinal a Cia das letras é bem riquinha e deveria pagar os custos deste Amores Expressos (16 escritores que vão escrever em cidades de Bombaim a Paris, uma história de amor). Vale ler a porradaria digital! E vivas pro Sergio Sant´anna.
postado por prébalzaquiana 2:24 PM
Quinta-feira, Março 08, 2007
Baudrillard morreu. Incubida de fazer matérias a altura do grande homem que ele foi, recuperei um trabalho do primeiro período de faculdade. E mergulhei mais fundo na melancolia de quem se vê poucos anos depois a uma enorme distância. Inocência, sonhos e mais ignorância. Uma receita certa de mais felicidade. Claro que não era perfeito, como hoje já chorava de madrugada possuída por um vazio inexplicável, uma força que sai das sombras para lembrar-me do vazio do mundo. Já tinha crises de destemperos, um sinal do meu lado bipolar perigoso e terrível. Mas tinha tanta confiança no caminho, na competência, na força transformadora da palavra. Hoje, burocrata, bato ponto de dia e de noite. Não viro noites de quarta. Não escrevo pro prazer. Não escolho o que ler. Bebo mais para dormir do que para celebrar.
postado por prébalzaquiana 11:02 AM
Segunda-feira, Fevereiro 05, 2007
Hoje me lembrei da primeira vez que fui ao cinema em Campos. Era uma sala muito grande e muito escura para os meus cinco anos de idade. Chegamos atrasadas, herança materna que eu repudio até hoje. Atrasadas nos sentamos no corredor, no chão mesmo, pipocas e fanta laranja caindo no carpete mofado e bolorento. Mas a tela era tão grande e tudo era tão colorido... O filme era Fivel, o ratinho que vai para a América fugindo dos gatos. O encanto do desenho nem mesmo as legendas ¿ que eu percebi não ser capaz de terminar embora tenha invocando mentalmente minha medalha de melhor leitora da turma ¿ conseguiram quebrar. Isso foi a tela.. Cinema mesmo eu conheci dois anos depois quando uma tia carioca me levou ao Roxy. Cadeiras de veludo vermelho, jujubas, sacos de pipoca gigantes, letreiro luminoso quase cegando os postes. O filme que estava passando? Não faço a menor idéia.
postado por prébalzaquiana 3:27 PM
Quinta-feira, Fevereiro 01, 2007
Call me
If you're feeling sad and lonely
There's a service I can render
Tell the one who loves you only
I can be so warm and tender
Call me, don't be afraid, you can call me
Maybe it's late, but just call me
Tell me, and I'll be around ...
Not the lyrics to "CALL ME" ?, Please report that below.
When it seems your friends desert you
There's somebody thinking of you
I'm the one who'll never hurt you
Maybe that's because I love you
Call me, don't be afraid, you can call me
Maybe it's late, but just call me
Tell me, and I'll be around ...
Is this song NOT from ASTRUD GILBERTO BEACH SAMBA ? Would you report that?
Now don't forget me
'Cause if you let me
I will always stay by you
You've got to trust me
That's how it must be
There's so much that I can do ...
If you can not find the lyrics you want, You may want to request them.
If you call I'll be right with you
You and I should be together
Take this love I long to give you
I'll be at your side forever
Call me, don't be afraid, you can call me
Maybe it's late, but just call me
Tell me and I'll be around ...
postado por prébalzaquiana 11:12 AM
Terça-feira, Janeiro 23, 2007
Enquanto atualizo a inbox em busca de notícias suas me pergunto se você está de férias ou sempre esteve. Acho que gostava mais das discussões do que dos dias tranqüilos, e dessa surdez proposital que se manifesta quando qualquer tema desagradável ameaça entrar em pauta. Tenho medo de aceitar como parte do processo. Indiferença é prenúncio.
postado por prébalzaquiana 11:56 AM